Pesquisas mostram as desigualdades de gênero no mercado de trabalho musical


O Dia Internacional da Mulher é uma data para celebrar conquistas mas, mais do que isso, para reafirmar a luta por direitos e igualdade que ainda precisam ser conquistados. O DATA SIM preparou uma lista de estudos e pesquisas que denunciam as desigualdades de gênero no mercado de trabalho, incluindo a área musical.

Estudo espanhol da Universidad Pompeu Fabra sobre oportunidades de trabalho para mulheres na Espanha , divulgado de 2019 pelo Observatório Social de “la Caixa”, mostra que, naquele país, em igualdade de condições, a probabilidade de uma mulher ser chamada para uma entrevista de trabalho é cerca de 30% menor que a de um homem.

No Brasil, a Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar (PNAD), realizada pelo IBGE, mostra que, em 2017, mulheres gastaram em média 20,9 horas por semana em atividades domésticas, contra 10,8 gastas por homens. A pesquisa revelou, também, uma grande diferença na realização de atividades domésticas entre homens que viviam sozinhos e que dividiam o domicílio com outra pessoa. Enquanto preparar/servir alimentos e arrumar a mesa/lavar louça foram tarefas realizadas por 91,8% dos responsáveis sozinhos, a execução dessas cai para 57,3% dos homens em coabitação.

Na América Latina, outro estudo realizado pela Secretaria Geral Iberoamericana (SEGIB), em 2018, revela como as leis discriminatórias de diversos países da América Latina e Caribe dificultam o empoderamento econômico das mulheres. O relatório aponta a persistência de importantes desafios nos quadros legislativos dos países da região que geram discriminação direta ou indireta, afetando a autonomia e a autonomia econômica das mulheres.

Trazendo esse quadro de desigualdade de direitos e oportunidades especificamente para a música, há vários estudos que denunciam o mesmo cenário:

Segundo dados coletados de várias organizações na área da música e de entidades de direitos autorais ao redor do mundo, sistematizados pela organização não governamental WIM – Women In Music, a divisão de gênero nas atividades musicais de todo o mundo é de, aproximadamente, 70% de homens a 30% de mulheres.

Na Europa como um todo, dados do Keychange mostram que, nas sociedades de direitos autorais coligadas dos países participantes, as mulheres representam apenas 20% ou menos dos compositores registrados no continente europeu.

No Canadá, um estudo da Nordicity, realizado em 2015 sobre o perfil das profissionais mulheres na indústria de Ontário, revelou que apenas 23% dos cargos executivos eram ocupados por mulheres, e que 48% das empresas pesquisadas não tinham mulheres em seu quadro de funcionários.

No Brasil, a realidade não é diferente. Dados de dois relatórios da UBC (União Brasileira de Compositores) mostram disparidades em relação à participação das mulheres no mercado e em rendimentos: do total de associados em 2017, apenas 14% eram do sexo feminino, faixa que se manteve em 2018. Em 2017, o rendimento médio delas era 28% menor que o rendimento dos homens associados. A diferença se mantém quando é considerado o total de recursos distribuídos pela UBC. Em 2017, dentre os 100 profissionais que mais arrecadaram, apenas 10 eram mulheres, número que caiu para 9 em 2018.

No ano passado, a composição dos rendimentos femininos mostrou que, para elas, as principais fontes de receita são como versionistas e intérpretes, enquanto, para eles, as principais fontes são como autores e produtores fonográficos. Este dado se relaciona diretamente à questão da invisibilidade feminina, já que as posições de protagonismo e comando geralmente são ocupadas por homens. No caso da arrecadação como produtores fonográficos em 2018, a disparidade é gritante: apenas 3% desses profissionais são mulheres.

PORQUE ELAS FAZEM MÚSICA?
Veja os relatórios da UBC de 20172018

Apesar do quadro bastante desequilibrado, algumas iniciativas vêm contribuindo para a superação dessas desigualdades. O WME (Women’s Music Event) tem um cadastro de profissionais mulheres na música para que elas possam ser encontradas e contratadas mais facilmente.

A SIM São Paulo adota como critério para todas as suas atividades a participação de pelo menos 50% de mulheres: desde os Showcases e  Conferências até a Produção, Conselho Consultivo e Direção.

O DATA SIM em breve fará sua primeira pesquisa sobre o assunto.

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