Veja os primeiros dados da pesquisa DATA SIM sobre mulheres na música brasileira


O DATA SIM lançou em março de 2019 o primeiro diagnóstico sobre a participação feminina no mercado da música brasileira: “Mulheres na Indústria da Música no Brasil: Obstáculos, Oportunidades e Perspectivas”, compatibilizada com a pesquisa “Women In The U.S. Music Industry: Obstacles And Opportunities” do Berklee College of Music e Women in Music (WIM), que investigou a presença feminina no mercado norte-americano.

Dados parciais da pesquisa foram mostrados em junho deste ano no SIM Drops – Especial DATA SIM realizado no Itaú Cultural. Agora que a coleta de respostas foi finalizada, com a meta de 500 respostas ultrapassada, apresentamos alguns dados do perfil das 612 respondentes que dedicaram parte de seu tempo para nos ajudar a compreender as barreiras de acesso do mercado musical brasileiro. Os resultados completos serão apresentados durante a SIM São Paulo 2019.

A maior parte de respostas vêm do Sudeste (71,2%), região que concentra boa parte da indústria da música no Brasil. Embora a produção artística brasileira seja descentralizada e diversa (as inscrições para os showcases diurnos da SIM mostram que todas as regiões do país têm produções de ótima qualidade), a indústria e suas profissionais concentram-se na região Sudeste, evidenciando as desigualdades regionais do país.

O mesmo acontece em relação à origem racial: mesmo com muitas das artistas emergentes sendo negras, a maior parte das profissionais é de origem branca (70,3%). Apenas 10,9% delas se identificaram como pretas e 15% pardas. O perfil das respostas mostra, portanto, aspectos que devem ser trabalhados para a construção de um mercado menos desigual.

Outra observação importante a partir do perfil das respondentes é a relação entre vida pessoal e vida profissional. Pesquisas de hábitos culturais (como a “Cultura nas Capitais” da JLeiva Cultura e Esporte) demonstram que casamento e filhos são fatores que interferem mais nas práticas culturais de mulheres do que nas dos homens. Contudo, não há dados sobre esse impacto negativo no mercado profissional da música no Brasil. Nos EUA a pesquisa revelou embate entre carreira profissional e interesses pessoais: lá 61% das respondentes consideram o desenvolvimento ou interrupção de suas carreiras um fator decisivo no momento de ter filhos. Aqui no Brasil, os dados coletados pela pesquisa do DATA SIM acompanham essa tendência, e ainda que os resultados estejam sendo apurados, podemos dizer que as mulheres do mercado brasileiro são predominantemente solteiras (62,3%) e não têm filhos (76,5%), o que pode indicar ou que elas optam por não casar/ter filhos para ter uma vida profissional na música, ou que após casamento/filhos elas deixem a vida profissional em segundo plano. Isso se agrava quando pensamos que 80,7% das trabalhadoras da música no Brasil estejam na a faixa etária entre 19 e 40 anos, que coincide justamente com o ciclo fértil da mulher.

Em relação à escolaridade, mais uma sinergia em relação ao mercado norte-americano: o mercado musical é composto por mulheres altamente escolarizadas se comparadas à média da população. No Brasil, 38,3% das respondentes têm curso superior completo e 18,3% têm pós-graduação completa.

Para Dani Ribas, Diretora do DATA SIM, a pesquisa adensa a compreensão da participação feminina no mercado de trabalho: “Esperamos rebater com números e reflexão os comentários de colegas que ainda dizem que não há talentos femininos em determinadas áreas profissionais ou estilos musicais. Se há assimetrias, não é por falta de talento feminino. É porque não temos as mesmas condições que os homens para a entrada no mercado de trabalho e para a construção de uma carreira na indústria da música. Publicar esses resultados, conscientizar o mercado musical que há barreiras de acesso e visibilizar as profissionais mulheres são os primeiros passos para um mercado menos desigual e com mais oportunidades para todos. E a responsabilidade pela construção de um mercado mais igualitário não é apenas das mulheres, é de todos”.

Para Renata Gomes, Gerente de Projetos do DATA SIM, “Entender a dinâmica do mercado da música no tocante à participação das mulheres é, sobretudo, entender o desenvolvimento e profissionalização deste ecossistema no Brasil. A pesquisa por si não só dá conta de responder todas as questões que temos em relação à igualdade nas oportunidades para homens e mulheres, mas nos permite abrir o diálogo e ampliar a discussão, inclusive de forma interseccional.”

Os resultados completos, incluindo análises mais detalhadas sobre as barreiras de acesso ao mercado profissional na música, renda, satisfação com a carreira e a relação entre vida pessoal e vida profissional, serão apresentados durante a SIM São Paulo 2019.

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