Baixe pesquisa inédita sobre participação feminina no mercado brasileiro da música


O DATA SIM realizou ao longo de 2019 a primeira pesquisa brasileira sobre a participação feminina no mercado de trabalho da música: “Mulheres na Indústria da Música no Brasil: Obstáculos, Oportunidades e Perspectivas”.

A pesquisa foi lançada em março de 2019 e compatibilizada com a pesquisa “Women In The U.S. Music Industry: Obstacles And Opportunities” do Berklee College of Music e da ONG Internacional Women in Music (WIM), que investigou a presença feminina no mercado norte-americano. No Brasil ela foi realizada pelo DATA SIM sem patrocínio privado ou financiamento público, e com as imprescindíveis parcerias da WIM Brasil e WME – Women’s Music Event, e apoio dos coletivos: Lista das Minas; Mulheres Artistas em Rede; Garotas no Poder; Sarau das Mina Tudo; SÊLA; Festival Sonora e também da União Brasileira de Compositores.

Em junho de 2019 dados parciais da pesquisa foram apresentados em no SIM Drops – Especial DATA SIM realizado no Itaú Cultural. Em dezembro, durante a SIM São Paulo 2019, o DATA SIM apresentou os resultados completos da pesquisa. Além de Dani Ribas, diretora do DATA SIM, participaram da mesa a artista Fernanda Abreu, Cris Falcão (WIM Brasil), Renata Gomes (DATA SIM), e Ciça Pereira (Zeferina Produções).

Agora a pesquisa completa está disponível gratuitamente para download.

Para Dani Ribas “uma nova perspectiva para a discussão sobre equidade de gênero se abriu no Brasil. Não apenas na música, foco da pesquisa, mas para a área cultural como um todo, que carece de dados desse tipo. Com a pesquisa, além de demonstrar com números as barreiras de acesso e desenvolvimento profissional impostos às mulheres, esperamos também que o debate se amplie para além das discussões femininas. Afinal a responsabilidade pela construção de um mercado mais igualitário é de todos”.

Além do perfil dessas mulheres, a pesquisa traz uma análise sobre as condições de trabalho na música. Um dos tópicos é a informalidade no setor; outro é a relação entre horas trabalhadas, renda, escolaridade e comprometimento com a carreira. Os dados sugerem que para haver renda considerável na música é necessária uma dedicação em horas maior do que a sugerida por lei, o que ajuda a rebater a criminalização do setor por seu suposto estilo de vida pouco comprometido com o trabalho. Se for considerada ainda a alta escolaridade dessas trabalhadoras da música, os argumentos para tal criminalização tornam-se mais difíceis de serem sustentados.

Outro ponto interessante é sobre o nível hierárquico ocupado pelas mulheres atualmente e há cinco anos. A comparação revelou que o percentual de iniciantes nas diversas áreas pesquisadas caiu, mas o percentual de cargos de chefia não subiu na mesma proporção. Isso demonstra que as mulheres vêm ocupando espaços, mas ainda falta muito para garantir uma real equidade de gênero na indústria da música.

Um ponto crucial da pesquisa é sobre perspectiva de carreira. Os números mostram que fatores como filhos e etnia mudam a percepção das mulheres sobre a posição que deveriam estar na carreira: mulheres com filhos ou negras sentem que deveriam estar em posições mais avançadas na carreira quando comparadas ao grupo de mulheres sem filhos ou brancas. Ou seja, as barreiras de entrada no mercado de trabalho continuam atuando mesmo após a entrada dessas mulheres no mercado.

A pesquisa ainda mediu o viés de gênero, ou seja, quanto ser mulher interfere na vida profissional, e quais as principais dificuldades das mulheres em seus ambientes de trabalho. Sobrecarga de trabalho em função da dupla jornada, assédio sexual e assédio moral são as principais delas.

“Entender a dinâmica do mercado da música no tocante à participação das mulheres é, sobretudo, entender o desenvolvimento e profissionalização deste ecossistema no Brasil. A pesquisa por si só não dá conta de responder todas as questões que temos em relação à igualdade nas oportunidades para homens e mulheres, mas nos permite abrir o diálogo e ampliar a discussão, inclusive de forma interseccional. As análises dos dados obtidos nos permitem questionamentos sobre as perspectivas dos diferentes perfis de mulheres respondentes: negras, brancas, com filhos, sem filhos, casadas, solteiras, de diferentes regiões do país, entre outros,” observa Renata Gomes, pesquisadora e analista de dados.

Além dos dados apresentados no report disponível para download, o DATA SIM pode realizar extrações especiais e tabulações que não constam do documento. Se você se interessa por entender melhor o perfil dessas mulheres, consulte o DATA SIM sobre segmentações de perfil e análises interseccionais feitas a partir da base de dados.

Nos próximos anos a pesquisa será realizada pelo DATA SIM em outros países, o que permitirá uma comparação entre a situação laboral da mulher em diversos mercados.

“Mulheres na Indústria da Música no Brasil: Obstáculos, Oportunidades e Perspectivas”:
Dados primários sobre:
• Participação Feminina no Mercado de Trabalho da Música no Brasil
Abordagem:
• Survey on-line
Coleta:
• 23/03/2010 a 19/09/2019
Respostas:
• 1446 (612 completas)
Elementos:
• Perfil socioeconômico: variáveis sócio-demográficas e cruzamentos entre variáveis
• Perfil profissional: fontes de renda, rendimento em fontes ligadas à música, jornada de trabalho, vínculo empregatício, e cruzamentos entre variáveis
• Perspectiva de carreira e nível hierárquico
• Obstáculos e desafios: viés de gênero
• Engajamento às causas feministas

Ficha técnica:
Daniela Ribas | Diretora de Pesquisa
Fabiana Batistela | Diretora Executiva
Renata Gomes | Pesquisadora e Analista de Dados
Marcela Galeotti | Analista de Dados

Download da pesquisa completa aqui.

visite a sim são paulo